Ele é conhecido pelo nome da sua terra natal. De origem humilde, era um dos milhares de futebolistas brasileiros em busca de realização profissional. Com passagens por Portuguesa Santista, Santa Cruz-PE e Botafogo-SP, chegou ao Coritiba em 2003, onde brilhou sua estrela. Foi campeão paranaense. O primeiro título como profissional. Já no São Caetano, em 2004, conquistou o título paulista.
Então, com 25 anos de idade, surgiu a oportunidade de atuar em um grande clube brasileiro. O Internacional o contratou. Com dificuldades, ele trabalhou. Havia chegado em um clube que tinha muita qualidade para a posição. Élder Granja era o titular. Mas ele lutou. Exemplo profissional. Chegou em 2005 como uma aposta para a posição. Com seu futebol eficaz, conquistou a confiança dos companheiros, da diretoria e da torcida. Aos poucos, passou de um simples reserva mediano para uma das boas opções do treinador.
Já em 2006, na lesão de Élder, ele assumiu a camisa número 2. Muitos achavam que a substituição seria temporária. Foi uma substituição para a eternidade. A camisa 2 não será mais a mesma. Jamais. Na estréia do Inter na Libertadores 2006, um empate. Gol dele. Durante toda a competição, ajudou a fechar o lado direito da defesa. Era um monstro na defesa, junto com Índio, Eller e Edinho. Destruidor. Na decisão do título, mais uma vez ele apareceu. Ou melhor, quem apareceu foi o grupo. Mas o grupo vencedor é feito por individualidades. Cada um com sua característica. No plantel, ele era o amigo para o qual todos olhavam, quando estavam em uma situação difícil, e se animavam. Sabiam que aquele cara era um vitorioso e que deviam nele se espelhar para superar dificuldades.
No final do ano, marcou o melhor jogador do planeta na decisão da Copa do Mundo. Marcou como ninguém. Lealmente. Com eficácia. Seria como alguém entrar para a história por anular Pelé. Ou Maradona. Em menos de dois anos, deixou a camisa 13 vice-campeã brasileira para assumir a camisa 2 campeã mundial. Ele é um vencedor. Seu nome: Marcos Venâncio de Albuquerque. Ou simplesmente, Ceará.
Ceará Grande do Sul. Agradecimento eterno da torcida colorada. Sucesso em sua profissão e em sua vida. Muita saúde. E lembre-se: As portas do Beira-Rio estarão sempre abertas a profissionais gabaritados e vencedores. Isto é, a camisa 2 vermelha está esperando seu retorno em 2010, talvez, como campeão mundial de futebol com a seleção brasileira.
Força Ceará. Muita saúde, sucesso, títulos e felicidade em sua nova casa.
30 de agosto de 2007
16 de agosto de 2007
16 de Agosto – Angústia, alívio e emoção
Hoje é 16 de Agosto de 2007. Duas horas da manhã. Há exato um ano, eu estava acordado. O time do meu coração tinha uma decisão de Libertadores e eu, como colorado, não poderia dormir. Não conseguiria, por mais sono que estivesse sentindo. Era necessário compartilhar meu sentimento com outros apaixonados torcedores, em debates na Internet. Precisava ler notícias, pois talvez encontrasse no website do São Paulo Futebol Clube ou da Conmebol alguma informação importante pré-decisão. É, nós torcedores viramos detetives, olheiros. Era como uma vigília em busca do troféu. Toda informação era importante. O sentimento era de que se eu descobrisse naquela noite qual seria a escalação do São Paulo, estaria ajudando o Inter. Até parece. Mas enfim, assim é o torcedor.
Após outra noite em claro, como vinha ocorrendo antes de cada jogo do Inter na Libertadores 2006, chegava o grande momento. Nada poderia dar errado. Beira-Rio, cinqüenta e tantos mil colorados. Inter e São Paulo. Decisão. Bastava o empate. Era só não perder. Passavam-se vinte e poucos minutos do segundo tempo e o gol de Tinga expressou os sentimentos de emoção, alívio e angústia. Revolta. Tudo isso em questão de dez ou quinze segundos. A expulsão do meio-campista colorado, após marcar o segundo gol colorado, contra um apenas do São Paulo, deu início aos vinte e tantos minutos mais longos da história do Inter. O que parecia tão simples, passou a ter contornos de um pesadelo que poderia se tornar realidade.
Tensão. Medo. Ataque do São Paulo. Chute errado. A zaga afasta. Novo ataque. São Paulo vem com força. Clemer orienta a defesa. Sai Sóbis. Entra Ediglê. Abel Braga aos gritos. Ataca o São Paulo. Clemer faz milagre. O Inter não consegue prender a bola no ataque. Manda-se o São Paulo. Só faltam seis minutos. Gol do São Paulo. Silêncio. A tensão vira pânico. Desespero. Vem à memória o Nacional de 1980. O Olímpia de 1989. Ataca o São Paulo. De novo o São Paulo. O tricolor do Morumbi comanda as ações. A zaga afasta. Volta o São Paulo. Só faltam dois minutos. Clemer de novo. Milagre.
Em uma bola dividida, é dado um balão pela defesa do Inter. A bola sobe e antes mesmo de cruzar a linha de fundo, em escanteio ou tiro de meta – nem lembro, o árbitro apita o final do jogo. As lágrimas, tantas outras vezes de tristeza, agora eram de alegria. Em 16 de Agosto de 2006, eu fui campeão da América. Há exato um ano, a emoção tomava conta da torcida. Enquanto isso, o vermelho tomava conta da América. Parabéns a todos nós, apaixonados torcedores. Parabéns Inter, há um ano, campeão da Libertadores.
Luciano Bonfoco Patussi – 16 de Agosto de 2007
www.inter-clubedopovo.blogspot.com
Após outra noite em claro, como vinha ocorrendo antes de cada jogo do Inter na Libertadores 2006, chegava o grande momento. Nada poderia dar errado. Beira-Rio, cinqüenta e tantos mil colorados. Inter e São Paulo. Decisão. Bastava o empate. Era só não perder. Passavam-se vinte e poucos minutos do segundo tempo e o gol de Tinga expressou os sentimentos de emoção, alívio e angústia. Revolta. Tudo isso em questão de dez ou quinze segundos. A expulsão do meio-campista colorado, após marcar o segundo gol colorado, contra um apenas do São Paulo, deu início aos vinte e tantos minutos mais longos da história do Inter. O que parecia tão simples, passou a ter contornos de um pesadelo que poderia se tornar realidade.
Tensão. Medo. Ataque do São Paulo. Chute errado. A zaga afasta. Novo ataque. São Paulo vem com força. Clemer orienta a defesa. Sai Sóbis. Entra Ediglê. Abel Braga aos gritos. Ataca o São Paulo. Clemer faz milagre. O Inter não consegue prender a bola no ataque. Manda-se o São Paulo. Só faltam seis minutos. Gol do São Paulo. Silêncio. A tensão vira pânico. Desespero. Vem à memória o Nacional de 1980. O Olímpia de 1989. Ataca o São Paulo. De novo o São Paulo. O tricolor do Morumbi comanda as ações. A zaga afasta. Volta o São Paulo. Só faltam dois minutos. Clemer de novo. Milagre.
Em uma bola dividida, é dado um balão pela defesa do Inter. A bola sobe e antes mesmo de cruzar a linha de fundo, em escanteio ou tiro de meta – nem lembro, o árbitro apita o final do jogo. As lágrimas, tantas outras vezes de tristeza, agora eram de alegria. Em 16 de Agosto de 2006, eu fui campeão da América. Há exato um ano, a emoção tomava conta da torcida. Enquanto isso, o vermelho tomava conta da América. Parabéns a todos nós, apaixonados torcedores. Parabéns Inter, há um ano, campeão da Libertadores.
Luciano Bonfoco Patussi – 16 de Agosto de 2007
www.inter-clubedopovo.blogspot.com
20 de julho de 2007
HOMENAGEM: Paulo Rogério Amoretty

Foi difícil. Mas finalmente, neste 20 de julho de 2007, após alguns dias do trágico acidente aéreo que chocou o Brasil e em especial o Rio Grande do Sul, sinto-me à vontade para, através de um breve texto, prestar uma homenagem a uma das vítimas do acidente. Entre as centenas de pessoas que perderam sua vida de forma triste e trágica, estava um gaúcho de Porto Alegre, que por seu trabalho e competência, conseguiu, durante dois anos, ocupar um cargo restrito a poucos e felizes colorados: Presidente do Sport Club Internacional.
Advogado, casado, pai de dois filhos, Paulo Rogério Amoretty teve sua vida ligada ao Internacional. Durante o início dos anos da década de 90, Amoretty começou a ganhar maior notoriedade e grande destaque no departamento jurídico do clube. A seguir, passou ao futebol, sendo, mais tarde, eleito presidente do Sport Club Internacional no biênio 1998/1999. Todos podem lembrar que o time de futebol do Inter, em se falando de resultados, não foi tão bem em 1998 e 1999. Porém, prefiro lembrar das boas passagens deste dirigente que sempre se esforçou ao máximo para ajudar o Internacional.
Quem não lembra da Copa do Brasil de 1996? Inter e São Paulo haviam empatado no Beira-Rio em 1 a 1, gol de Leandro Machado para o colorado. Seria dificílimo jogar e obter a classificação no Morumbi. Porém, o tricolor paulista havia escalado um atleta irregularmente. O jurídico do Inter preparou sua defesa. O resultado do julgamento: 10 votos a zero a favor do Inter. Inter classificado, São Paulo eliminado. Competência, acima de tudo, dos advogados colorados, entre eles, nosso eteno presidente Amoretty.
Mais adiante, quem não lembra do goleador dos pampas tendo sido destaque nacional em 1997? Veículos de imprensa passaram todo ano de 1998 anunciando a venda de Christian. Na onda de vendas de jogadores ao exterior, nosso presidente, Amoretty, dizia veementemente que não venderia o ídolo antes do final do ano. Seria difícil segurar. As propostas eram excelentes. Todos duvidavam. O presidente não só cumpriu sua promessa como também vendeu o craque somente após metade do ano seguinte, por uma boa quantia financeira. Pura competência.
Poucos lembram ainda que durante o jantar de aniversário de 90 anos do clube, a gestão Amoretty conseguiu um minuto em rede de televisão nacional. Naquela data, o Brasil inteiro assistiu, no intervalo da “novela das oito”, o brinde de aniversário de 90 anos do clube. Era o Inter, fora do eixo Rio-São Paulo, conseguindo, de certa forma, aparecer em rede nacional e homenagear seus torcedores.
Além disso, há o episódio em que máquinas da prefeitura iriam invadir parte da sede social do clube, derrubando as cercas, pois segundo a administração municipal, as áreas eram irregulares. Amoretty parou a frente dos tratores, impedindo a passagem dos mesmos. O fato teve grande repercussão. A partir deste incidente, iniciou o processo de regularização burocrática das áreas onde nosso querido Internacional está sediado até os dias atuais.
Amoretty foi o presidente que deu a torcida colorada a esperança de conquistar um título nacional após tantos anos. Foi com sua gestão que começou o projeto sócio-colorado. A partir dali, bons jogadores foram contratados, além de um renomado trreinador. O time chegou as semifinais da Copa do Brasil, onde desde 1992 sequer chegava perto. Por incompetência do time, acabou sendo eliminado pelo Juventude. O projeto de reestruturação do clube, que era promissor, passou a ser alvo de dúvidas de todos. Problemas ocorreram e o time se salvou do rebaixamento na última rodada do campeonato brasileiro, em um jogo histórico contra o Palmeiras. Amoretty chorou de alívio, agradecendo a Deus pelo não-rebaixamento e pedindo desculpas pelos péssimos resultados de campo, dizendo que a torcida colorada merecia muito mais. Nem sempre as coisas ocorrem da forma como são planejadas.
Neste momento em que governo, aeronáutica, companhias de transporte aéreo e outros departamentos brigam para descobrir de quem foi a culpa do acidente, sabemos que, após apontarem um culpado, infelizmente, quase nenhum esforço será feito para tentar melhorias. Somente querem culpados. Não melhorias.
Não tendo mais nada a fazer, nem a quem recorrer, fica esta homenagem ao querido eterno presidente do Sport Club Internacional, Paulo Rogério Amoretty, bem como o pesar a todos os parentes e amigos das vítimas do vôo 3054.
Meus mais sinceros sentimentos de tristeza a todos e um eterno muito obrigado ao presidente Paulo Rogério Amoretty, pelo seu empenho e dedicação ao Sport Club Internacional.
Luciano Bonfoco Patussi - 20 de julho de 2007
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